Publicado em 17 fevereiro, 2026

Exposição a Agentes Químicos: Como o Bisfenol Pode Gerar Insalubridade e Passivos Trabalhistas?

agentes químicos​; exposição a agentes químicos

A discussão sobre agentes químicos no ambiente laboral deixou de se limitar a setores industriais tradicionais. Hoje, substâncias aparentemente discretas, como o bisfenol presente em papel térmico, passaram a integrar o centro de ações trabalhistas que discutem adicional de insalubridade e indenizações.

Instituições financeiras, supermercados, redes de varejo e empresas com alto volume de emissão de recibos e cupons fiscais estão cada vez mais expostas a alegações envolvendo exposição a agentes químicos. O impacto não é apenas técnico, mas jurídico e financeiro.

Por que o bisfenol se tornou foco de ações trabalhistas?

O Bisfenol A (BPA) e o Bisfenol S (BPS) são utilizados na fabricação de papéis térmicos. Em processos trabalhistas, a alegação comum é que o manuseio frequente desses materiais configura contato com agente químico insalubre, justificando adicional em grau máximo.

De acordo com a Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 2844/24, aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor, propõe a proibição da fabricação e importação de papéis térmicos com concentrações de BPA e BPS iguais ou superiores a 0,02% do peso, evidenciando a atenção crescente ao tema no cenário legislativo brasileiro.

O ponto central da controvérsia está na caracterização da exposição. Para que haja insalubridade, é necessário demonstrar habitualidade, permanência e níveis de contato que superem critérios técnicos estabelecidos.

Em muitos casos, o que se observa é:

  • Manuseio por período extremamente curto
  • Contato eventual e não permanente
  • Ausência de absorção relevante segundo critérios técnicos
  • Inexistência de concentração ambiental caracterizável

A análise técnica adequada costuma demonstrar que o simples contato com papel térmico, de forma pontual, não configura exposição significativa.

Quando a exposição a agentes químicos realmente gera insalubridade?

A caracterização de insalubridade exige avaliação técnica baseada em metodologia reconhecida. Não basta a presença do agente químico no ambiente; é necessário comprovar que a exposição ocorre de forma habitual, acima de parâmetros técnicos e com potencial de dano.

Elementos técnicos analisados em perícia

Em processos envolvendo agentes químicos, especialmente bisfenol, a avaliação deve considerar:

  • Frequência do manuseio
  • Duração do contato
  • Vias de exposição
  • Existência de medidas de controle
  • Organização real da atividade exercida

Sem essa análise estruturada, o risco é que a discussão seja conduzida apenas por alegações genéricas, ampliando a possibilidade de passivos trabalhistas.

Como a perícia administrativa preventiva reduz passivos judiciais?

A atuação preventiva, ainda na esfera administrativa, é uma estratégia inteligente para empresas que desejam mitigar riscos antes do ajuizamento de demandas.

A perícia preventiva permite:

  • Mapear atividades que envolvem agentes químicos
  • Identificar possíveis fragilidades operacionais
  • Revisar procedimentos internos
  • Documentar tecnicamente condições reais de trabalho
  • Produzir laudos que subsidiem decisões estratégicas

Esse tipo de avaliação fortalece a governança interna e cria base documental sólida para eventual defesa futura. O laudo técnico de insalubridade, quando bem elaborado, pode ser determinante para a descaracterização do direito ao adicional e, consequentemente, para a redução significativa de custos trabalhistas.

Qual é o papel do assistente técnico na defesa corporativa?

Nos processos judiciais, o perito é o profissional nomeado pelo juiz. Já a empresa pode contar com assistente técnico especializado para acompanhar o atoperícial, formular quesitos e apresentar parecer técnico.

A atuação do assistente técnico envolve:

  • Análise crítica do laudo pericial
  • Verificação de critérios utilizados
  • Contestação de conclusões inconsistentes
  • Demonstração técnica de ausência de exposição significativa
  • Exclusão ou mitigação de nexo técnico alegado

Esse suporte é determinante para impedir que exposições eventuais sejam interpretadas como insalubridade automaticamente.

Por que a metodologia técnica é tão importante na avaliação de agentes químicos?

Empresas que lidam com qualquer forma de exposição a agentes químicos devem estruturar uma metodologia clara de avaliação e controle. Isso inclui identificação das fontes, análise das tarefas desempenhadas e definição de protocolos operacionais.

No caso do bisfenol, medidas como substituição de materiais, redução de manuseio desnecessário e orientação operacional já demonstram preocupação com o controle do risco. Quando documentadas tecnicamente, essas medidas fortalecem a posição defensiva da empresa.

A ausência de documentação e de avaliação técnica prévia, por outro lado, pode transformar alegações simples em litígios complexos.

Como proteger a empresa contra litígios trabalhistas envolvendo agentes químicos?

O cenário atual exige postura proativa. A expansão das discussões envolvendo agentes químicos demonstra que qualquer atividade pode ser reinterpretada sob a ótica da insalubridade.

Empresas que investem em perícia preventiva, diagnóstico técnico e acompanhamento especializado reduzem significativamente a probabilidade de condenações indevidas e de formação de precedentes internos desfavoráveis.

A análise técnica estruturada permite separar risco real de risco presumido, protegendo o negócio de interpretações amplificadas. 

A ExperMed oferece assistência técnica especializada em processos trabalhistas envolvendo agentes químicos, com metodologia reconhecida e atuação em todo o território nacional. 

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